+ Notícias

Por Portal Comunique-se em 12/09/2012

Manuais de redação "proíbem" jornalistas de falar sobre suicídio

Considerado um problema de saúde pública, por que a imprensa não trata o suicídio como pauta?<br />

- Notícias sobre suicídio foram discutidas por jornalistas durante evento na ESPM

Nos últimos 45 anos, a taxa de suicídio cresceu 60%, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). A cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida no mundo. No Brasil, os casos equivalem a uma ocorrência por hora, mas sabe-se que o número real é muito maior, já que muitas vezes as mortes são relatadas como acidentais. Considerado um problema de saúde pública, por que a imprensa não trata o suicídio como pauta?

A fim de discutir os motivos, a ESPM, em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), reuniu jornalistas na última segunda-feira, 10. Mediado pelo profissional da Globo e comentarista da CBN, André Trigueiro, o assunto foi discutido pela ombudsman da Folha de S. Paulo, Suzana Singer; pela gerente de Inovação do R7 e comentarista da Record News, Rosana Hermann; pelo apresentador e repórter de polícia da Globo, Valmir Salaro; e pela repórter especial da Folha, Cláudia Collucci. 

Embora a imprensa trate com frequência de pautas que envolvem saúde, o suicídio é constantemente deixado de lado. Trigueiro lembra que o assunto é ausente na maior parte das mídias e que, entre pessoas de 15 a 35 anos, o número de casos aumentou consideravelmente. "São jovens que nem conhecem a vida para dizer que ela não vale a pena". Para o jornalista da Globo, há um problema grave a ser resolvido, principalmente dentro dos veículos de comunicação. "A informação não circula e os próprios manuais de redação proíbem os profissionais de falar sobre o assunto".Certo de que não pode reportar os casos de qualquer maneira, Suzana concordou com Trigueiro e criticou ao dizer que "se for seguir à risca as orientações dos manuais, o profissional não consegue fazer jornalismo".

A ombudsman da Folha alerta que, evidentemente, nem todo suicídio é notícia, assim como nem todo homicídio é relatado na imprensa, mas acrescenta que, além de casos em que não é possível ignorar - como, por exemplo, se a morte envolver um famoso - é preciso noticiar outras histórias. A reportagem escrita por Eliane Brum, da revista Época, foi lembrada durante o evento. No texto, intitulado "Suicídio.com", a jornalista fala sobre sites na internet que incentivam adolescentes a se matar e conta a história de Yoñlu, que tirou a própria vida.

Claudia, que escreve na editoria de saúde, atenta para outro ponto: há dificuldades em noticiar o tema, principalmente porque o jornalista fica restrito ao fazer a parte de "serviços" da reportagem. "Como o leitor vai se tratar? Como ele vai procurar ajuda? Não há hospitais, psicólogos e psiquiatras para anteder essas pessoas".

"Não conheço alguém que, em algum momento, não pensou em se matar. Temos que tratar o assunto como algo que faz parte de nós e olhar para as pessoas que não conseguem resolver sozinhas e precisam de ajuda externa", disse Rosana. Ela comenta que um local interessante para buscar dados são os seguros, já que muitos não pagam a apólice em caso de suicídio e por isso há investigação dos casos de morte. 

Ainda sobre os problemas internos, Valmir não hesita ao dizer que "para as redações, se matar é proibido". "Primeiro é preciso discutir isso com os colegas de trabalho pois as pessoas acham que se não falam sobre o tema, logo ele não existe". O problema não deixa ninguém de fora. Nos últimos 10 anos, Claudia revela que conheceu pelo menos três repórteres que tiraram a própria vida. 

O fato é que, como aponta Trigueiro, o suicídio não está na pauta nos veículos de comunicação. "Temos que buscar informações e entender a realidade que nos cerca e, assim, noticiar. Temos um tema invisível e ele precisa ser tratado", conclui. Durante o encontro, o jornalista da Globo afirmou que a iniciativa continuará e, nos próximos anos, a mesma data levará o debate para outros estados brasileiros. 

O começo
Criado pela Organização Mundial de Saúde em 2009 e pouco divulgado na mídia, a Cartilha para profissionais da Imprensa traz orientações sobre como abordar o suicídio, "preservando o direito à informação e colaborando para a prevenção". O material, que pode ser baixado gratuitamente pela internet, apresenta instruções de como noticiar os casos. Entre as dicas estão: evitar chamadas dramáticas ou ênfase no impacto da morte sobre as pessoas próximas; não fornecer detalhes sobre o método letal e nem fotos; evitar termos valorativos, como por exemplo "cometeu" suicídio.

Outro trecho traz exemplos de textos jornalísticos que refletem o tema e uma lista de fontes em que o jornalista pode obter informações.

CANAIS

Artigos
Câmara Municipal
Cidades
De Olho no Emprego
Economia
Entretenimento
Esporte
Internacional
Moda
Mundo Pop
Notícias
Novelas
Polícia
Política
Região
Saúde
Tecnologia
Três Lagoas
COLUNAS
Culinária
Mundo Pop
Esportes
Moda
CONTATO
(67) 3524 2129 / 3524 2868
contato@radiodifusora1250.com.br
LOCALIZAÇÃO
Rua Tiburcia Queiroz Monteiro, 850 - Santos Dumont
Três Lagoas / MS